Gatas! Gatas! Gatas!

Coluna Esquema Novo, publicada no jornal Estado de Minas em 05/12/2006
Ou “Girls ! Girls! Girls!” como eternizaram Elvis Presley (o pioneiro, claro, no filme de 1962) e os hard rockers do Motley Crue. Mas não falarei aqui necessariamente da beleza estética feminina, e sim da beleza que foram os seus serviços no insosso mundo musical de 2006. Seria exagero dizer que o ano foi delas- afinal todo ano é de vocês, não meninas?- mas alguns dos pontos altos desses chatinhos doze meses tiverem elas como protagonistas.E melhor: em seus últimos dias, 2006 pode sair por aí cantarolando à lá Martinho da Vila , que já teve mulheres de todas as cores, de várias idades ,de muitos sabores.

Ele encontrou a felicidade na Céu, destaque absoluto no setor revelações da MPB, nome certo para abrigar o título de estrela. A cantora paulistana emitiu seu canto de sereia para muitos caírem em encantamento, com um auto-intitulado disco de estréia que trás mais confirmações do que dúvidas. Levando Bob Marley (a clássica “Concrete Jungle”) e João Bosco (“Ronco Da Cuíca”) ao trip-hop baixo teores, firmou espaço como interprete criativa. Mais: assinalou duas pérolas autorais entre as melhores do ano, as sensuais “Dez Contados” e “A Lenda”, “viagaras” auditivos no meio de tanta baixaria.

Se bem que até a promiscuidade recebeu tratamento de classe este ano. Nelly Furtado têm raízes portuguesas, mas é em território britânico que a rapariga têm seus admiradores mais notórios. Não foi só o escritor Nick Hornby que descobriu prazeres imediatos com a perfeita “I´m Like A Bird”, lançada por ela em 2001. Chris Martin, vocalista do Coldplay também resolveu dividir a autoria de “All Good Things”, presente no último disco de Furtado. Justin Timberlake que, você sabe, entende tudo de mulher, hipnotizou-se com o verde eterno dos olhos da cantora (e com outras coisas também, claro) e participa do último clipe dela, a lasciva “Promiscuous Girl”, um dos bons hits do ano.

No caído Tim Festival, Patti Smith esteve acima dos mortais. Ou ainda: panela velha é que faz comida boa. A vista da tia punk ao Brasil foi um dos momentos “ao vivo” do ano. Patti é a prova viva de que autenticidade não se compra em qualquer cirurgião plástico. Para as antigas musas que esticam as carreiras com botox, Smith mostrou que os anos acrescentaram apenas sabedoria ao seu repertório . Ao vivo, canções como “Redondo Beach” e a furiosa “Rock N´Roll Nigger” permanecem como exemplo de rebeldia inteligente. Ai que saudades da “Glória”! Patti é que é mulher de verdade.

Essa é gata até no nome: Cat Power. O sobrenome também faz sentido, já que é da delicadeza de suas músicas que estão algumas das composições mais poderosas do pop atual.”The Greatest”, que não é uma coletânea, é o exemplo mais recente. A cantora norte-americana tem entre seus súditos jovens talentosos, como Dave Grohl e outros nem tanto, como o glicosado James Blunt, mas preferiu instrumentos mais veteranos para moldar um dos discos mais bonitos do ano. Cercada de músicos moldados na escola soul de Memphis, músicas como “The Islands” ganharam a elegância necessária para envelopar o miado manhoso da moça.

Para fechar, o inevitável: Lovefoxxx, do Cansei De Ser Sexy. Pode não gostar da banda (meu caso) e pode não gostar do sucesso da banda (caso de muita gente), mas não é possível ignora-la. E para fazer isso hoje dia, teria de excluir do planeta opiniões mais do que respeitáveis como do pessoal da revista inglesa Uncut, que ranqueou o disco do grupo entre os vinte melhores do ano. E até a diva máxima Elton John lançou um bom disco esse ano (“The Capitain And The Kid”), garantindo que todo dia é dia delas.E que este ano, os dias foram mais femininos ainda.

 

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