Saudades, futuro!- Entrevista com David Dines

Crédito: Suellen Pessoa
Crédito: Suellen Pessoa

David Dines. Salvo engano, já tinha gravado com ele uma Sessão Alto Falante, no Ultra, com sua banda de então, a Spooler (que já vinha namorando timidamente por causa de faixas como esta). Me lembro de ficar surpreso no estúdio ao ver e ouvir toda aquela flexibilidade dançável e assumida do grupo, muito bem resolvida, com o baixo do Salomão, a batera do Gustavo e os backing vocals da Suca. Bacana.

(Mas sentia falta das coisas em português, o grande desafio e a maior atração que eles me causavam era isso. E até hoje fico enchendo o David nessa onda…)

Desde que o conheci melhor pessoalmente, em um show na Praça da Liberdade, aprendi a ficar atento ao David. A justificativa para isso já devia estar nos papos que tivemos lá (se bem me lembro, junto com o Fred HC, do Paralaxe, que posso ter apresentado a ele com algo tipo “Esse é você ontem”). Não me lembro exatamente da pauta, mas devia ser algo relativo à glam rock, já que foi nesse papo inicial que nasceu um dos projetos mais legais que já tive a honra de participar, o #Ziggy40.   Período ótimo de ensaios, shows e papos, tudo em torno de um de meus (nossos) assuntos favoritos: David Bowie.

A partir daí, estivemos em contato constante- principalmente eu com a obra dele, projeto solo, várias audições por aqui de “Sdds Futuro”, sua primeira e interessantíssima investida solitária.  Da capa ao conteúdo, disponibilizado aqui, o trabalho é muito a cara do David ( e de sua cara metade, a talentosíssima Suellen Pessoa).  Variado, com muita vontade cosmopolita, alguma ousadia, pitadas pop imperdíveis  e francamente orientado para os quadris. Ainda tenho vontade de voltar a discotecar só pra colocar “Não Me Venha Com Essa de Amor” nas pistas.

Mas o que sempre me chamou à atenção no David é sua capacidade de “ler” muito do mundo contemporâneo ( e depois escrevê-lo a sua maneira), aquele que é formatado, basicamente pela sua geração de vinte e poucos. Concatena com precisão alguns dos vértices formadores que estão por aí, em rede, em arquivo, na rua, nas galerias. Menino atento. De certa forma, David Dines é um “produto” típico no novo século que funciona.

Essa semana soltou uma nova e ótima música, gancho suficiente para batermos um papo aqui no Material. Escute “I´ve Seen Too Much” aí embaixo e se anime para a entrevista logo abaixo…

 

 


 

 “Não vejo mais muito sentido em abraçar apenas uma estética musical hoje. Quero é pegar diversos estilos e fazê-los conversar, mas dentro de uma linguagem simples, ainda que contenha um discurso não exatamente fácil ou agradável”

Entrevista com David Dines

Antes de qualquer coisa: tua escola é o rock? É o pop? Vê fronteiras, assim nítidas? Digo de você menino ainda, começando a se interessar por música…

Minha influência primordial é o pop. Foi a primeira linguagem musical que me cativou, lá pela primeira infância. Lembro de pedir pros meus pais comprarem discos do Michael Jackson, da Madonna, de todo aquele pop fim dos anos 1980, início dos 1990. Carrego aquilo ali no meu DNA musical até hoje. Descobri o rock já na pré-adolescência, via Beatles e o povo da psicodelia 1960s, seguido depois pelo punk rock e os indies todos a partir de uns 13. Mas não que eu enxergue como fronteira. Vou sempre na interseção, no diálogo. Pelo menos, esse é meu interesse. Uma interseção que seja acessível. As zonas cinzas é que me interessam.

Mas seu primeiro projeto, vinha embalado em rock certo? Sua primeira banda, “As Horas”, tô certo?

Era, totalmente rock. O que mais me interessava naquela época, na verdade, era uma linguagem do desconforto. Eu tinha 17 anos, tava me refestelando nos dramas daquele período estranho da vida, então eu queria era falar do mal estar. O rock, a distorção, os tempos inusitados, a estrutura esquisita me pareceu a linguagem apropriada. Hoje rock é meio coisa de velho, né? Engraçado como fossilizou enquanto gênero musical. Tá virando o jazz pras futuras gerações: sinal de bom gosto, mas já sem nenhuma rebeldia.

Percebo um pouco isso também, mas seguramente temos diferentes percepções quanto a isso, mesmo por uma diferença geracional…Essa tua percepção a respeito de um certo esvaziamento do “estilo” é uma espécie de guia para o teu trabalho hoje?

É um pensamento que tento desenvolver. Não vejo mais muito sentido em abraçar apenas uma estética musical hoje. Quero é pegar diversos estilos e fazê-los conversar, mas dentro de uma linguagem simples, ainda que contenha um discurso não exatamente fácil ou agradável.

Encarar o estranho, já diria Bowie…

Exatamente! Bowie é sempre uma grande inspiração, porque ele nunca seguiu o caminho mais fácil. Ele sempre quis desvendar o desconhecido e se aventurou diversas vezes, mas tentando sintetizar a mensagem ao máximo. Sou geminiano, gosto da fluidez e da multiplicidade. Não quero escolher apenas uma coisa. E eu quero é comunicar, é tocar as pessoas. Se não, nada faz sentido. A relevância da música só existe na interação.

Esse lance de “não quero escolher apenas uma coisa” me parece quase um dever firmado pela geração de vinte e poucos. E é muito legal. Mas concatenar isso na prática, pode dar uma dor de cabeça…Foi muito difícil pra você, depois de bandas, formatar esse projeto solo?

Foi estranho, mas a própria forma como as coisas foram se desenvolvendo levaram ao calejamento que um trabalho solo precisa. Minha última banda se dissolveu de uma forma muito estranha, então sentei no meu quarto durante três meses e tentei desenvolver algo que me representasse, mas que ainda assim houvesse algo de antítese ao que eu fazia antes. Esse trabalho virou o SDDS FUTURO, meu primeiro EP. Estar sozinho, criativamente, abre um mundo de possibilidades, porque você pode realizar tudo o que você sonhar, desde que esteja no seu alcance técnico, sem cerceio criativo de ninguém. Mas também há o risco de virar uma viagem hermética que nunca se realiza. E também o de acabar entrando em caminhos não muito bons por não ter parâmetro. É o grande desafio do caminho do meio. É algo de muita responsabilidade. Não é fácil estar sozinho em cima de um palco e coordenar um espetáculo inteiro. Foi um desafio que me propus e acho que ainda estou encontrando a melhor forma de fazer isso. Ainda me sinto mais confortável tocando com outras pessoas, mas também não quero que isso seja uma amarra criativa. Não sei se eu tô sendo muito contraditório ou incoerente… Hehehe

E quais foram as balizas estéticas principais para formatar o SDDS Futuro?

Eu estava num momento de redescoberta quando criei o SDDS FUTURO. Eu tinha me esforçado muito desenhando a personalidade musical da minha banda até aquele ponto, então quando tudo desmoronou, rolou uma crise de identidade artística. Então comecei a tatear no escuro, catando os pedaços e tentando fazer sentido. Nisso também acho que as músicas dos outros artistas que estão no EP me ajudaram, como um espelho. “Saudade”, que foi composta pelo Leonardo Onerio, do Umrio e do Pontes, é algo que sempre achei que eu poderia ter escrito, desde a primeira vez que escutei, em ritmo de escola de samba. Pela própria cadência, pela melodia. E a mesma coisa com “Old Ways Are Dead”, que foi um presente do Sergio Manto. Dali encontrei força pra me achar criativamente de novo. E acho que as próximas coisas, a partir de “I’ve Seen Too Much”, têm mais força, mais energia yang.

O que você chama de energia Yang?

Um fogo diferente dentro de si. Um ímpeto mais forte. É mais celebração do que dúvida.

Uma coisa que acho notável é seu direcionamento/gosto pela pista de dança, pelo ritmo, desde o Spooler…

A coisa da dança passou a estar presente nas minhas coisas a partir do momento em que eu não quis mais escrever sobre meu mal estar, e sim atacá-lo. Na mesma época em que o Spooler começou, eu virei garçom em um casa noturna e passei a observar atentamente os DJs. Como constroem as dinâmicas de uma noite, como conseguem cativar as pessoas a largar suas inseguranças e dançar… há uma força muito especial nisso.

Não seria sua revolução se você não pudesse bailar…

EXATAMENTE!  Esse é meu mote, basicamente (risos)

E você é um cara essencialmente noturno? Digo criativamente falando?

Não muito, na verdade. Sou meio que o contrário, aproveito e crio muito mais durante o dia. Mas o dia tem menos nuances, as pessoas são menos interessantes de serem observadas nessas horas. As pessoas se comportam de forma muito mais interessante à noite.

Esse lado voyeur se resolve nas letras?

Sim. Nas letras, nunca é uma coisa só. É o voyeur e a autoanálise sempre misturados, também.Mas, na verdade, essa leva mais recente de músicas têm sido mais primeira pessoa. Talvez eu esteja seguindo um caminho mais autobiográfico, não sei. Ainda tô no processo. Por exemplo, uma das músicas mais recentes que tenho tocado em shows chama-se “This City Is Pushing Me Away”. É um reggae sobre como estava sendo frustrante morar em BH diante de uma série de dificuldades circunstanciais. Curiosamente, o destino acabou me jogando pra longe dela e, numa correria dos diabos, me estabeleci em São Paulo de uma hora pra outra. Vai entender. É o fluxo. “I’ve Seen Too Much” é uma música bem específica também. É muito sobre estar pronto pra enfrentar as dificuldades, sobre resiliência. A ideia dela nasceu quando fui visitar amigos imigrantes em outros países, e vi quão dura é a luta diária deles por manter sua identificação, seu senso de si. São ou acabam se tornando personalidades fortes, na maior parte das vezes, porque as circunstâncias as moldam. Mas pode ser interpretada pra qualquer tipo de dificuldade que se enfrenta na vida, diante da qual não se pode esmorecer. Ela virou meu mantra particular.

Daqui a pouco chegamos em BH-SP, antes quero insistir um pouco na coisa da geração…Como você, particularmente vê definições como ” geração da muita informação e pouco conhecimento”? Digo isso porque, desde a primeira vez que nos conhecemos, já fiquei admirado com sua capacidade de interpretar as coisas de hoje, tendo uma bagagem muito legal das coisas de ontem…O Ziggy de alguma forma materializou isso muito claramente pra mim

Acho que a geração de agora não exatamente tem pouco conhecimento diante de muita informação. Bom, na verdade, se você for analisar proporcionalmente diante do que tomamos contato diariamente, certamente tem, mas não dá pra comparar. O que vejo como sendo forte nessa geração é a coisa de hackear a cultura, de se apropriar apenas daquilo que é relevante pro indivíduo. Lógico que é importante desenvolver repertório, entender e contextualizar o que já foi feito, mas o novo só surge da necessidade e da negação daquilo que não faz mais sentido. Há de se ter respeito, mas exigir reverência de um jovem diante da tradição é meio demais. O Ziggy 40, por exemplo, foi um projeto de gente jovem que respeitava a obra do Bowie, sabia da importância de um clássico. Mas de que adianta uma rebeldia cristalizada na parede? O importante é oxigenar.

É essa linha de pensamento que você de alguma forma sintetiza na ideia de “Sdds Futuro”? Saudade de um certa indolência moderna, e cuidado com nossa febre arquivista?

Sim, também. A gente tem os parâmetros antigos pra nos balizar diante da vida, e de certa forma nós queremos segui-los, mas é impossível. Romantizar o obsoleto e o inútil pode significar a morte do novo, mas a cultura pop se retroalimenta disso o tempo todo. É muito curioso, isso me intriga bastante. Não busco respostas, quero só levantar mais perguntas. Tem outra coisa que me intriga na juventude de hoje também que é a dificuldade de se enxergar um futuro, mesmo que esteticamente. Todas as gerações passadas tinham uma noção de futurismo, que podiam remeter ao minimalismo, ou a uma coisa meio Jetsons, ou outros tipos de visão do que seria a sociedade daqui a algum tempo. Otimista ou pessimista. Hoje é difícil enxergar isso. É como se vivêssemos suspensos num eterno presente, mas a própria noção de presente é ilusória. A gente não sabe o que esperar de daqui a pouco. E, ao mesmo tempo em que precisa negar o passado pra continuar criando o novo, a presença do passado se impõe quando não há futuro à vista. Então surge a coisa retrô, o fetichismo do passado. É muito curioso. E aí a gente se depara com anomalias como o retrofuturismo. Não sei, são coisas sobre as quais costumo pensar e que acabam refletindo na minha obra, de alguma forma.

Tem uma coisa que acho curiosa é que alguns de nossos grandes exemplares de pop mineiro com certas intenções eletrônicas- uma linha que pode ir do Divergência Socialista- Tetine- Paralaxe até chegar em você, carrega uma carga de “pensamento” digamos assim, muito grande. Música eletrônica inteligente, para trocadilhar toscamente. Você se filia de alguma forma com isso?

Hahaha! Não conscientemente. Só fui ter um contato maior com a obra do Paralaxe, por exemplo, quando me aproximei do Fred. Acho genial, mas não foi uma influência. Acho que é uma coisa cultural do mineiro, de ser muito denso, de tentar botar a complexidade do mundo – alegrias, tristezas e tudo no meio – dentro de uma coisa só. Você vê isso na literatura, na música, em quase todas as artes.

Sim

Eu quero sempre sintetizar. Quero sempre entregar o meme daquele pensamento. E deixar a pessoa desenvolver, se ela quiser. Acaba que tudo tem uma grande carga de pensamento, mas você não precisa acessá-la se não for do seu interesse. A superfície também pode ser agradável.
Agora preciso fazer uma confissão, pra falar de música. A primeira vez que escutei “Não Me Venha Falar de Amor”, me lembrei de pop farofa dos anos 1990. Tipo Double You. E AMEI. Como lida com isso? (risos)
Hahahaha
Faz sentido? Tá dentro do jogo também? Pode isso Arnaldo?
Eu acho que sim!
Tem uma vontade ali, um descompromisso, uma solaridade sabe?
Engraçado que foi um conflito que surgiu na gênese dela. Brincando com o teclado, de repente me aparece essa melodia. Aí crio quatro acordes pra acompanhar. E, de repente, me deparo com aquilo e penso: “o que é isso, eu tô compondo um axé? É isso mesmo, Arnaldo?”. Hahahahaha. E aí eu pensei, foda-se, vou terminá-la.
A frase “não me venha com essa de amor” foi a primeira coisa que surgiu pra acompanhar aquela melodia. E toda a música se desenhou quase sozinha a partir daquilo, eu só permiti. Tá certo que tem um pouco do que eu tava vivendo ali na época dentro da letra, mas nada de muito específico.

 

Junto com “Saudade” e a nova, tem uma vocação incrível de hit… Gosta dessa ideia da canção redondinha, do pop perfeito?

Eu gosto. Gosto da repetição, que vai ganhando camadas e mudando de sentido. Gosto de acrescentar elementos pouco a pouco, criar uma harmonia, uma proporção dos elementos. É quase como fazer uma mandala – tem que haver um equilíbrio. É como cozinhar. Não é tanto um desejo de perfeição, mas de harmonia entre os elementos.

Na sua cabeça, existe uma espécie de “template” definido para a música de David Dines? Tipo: “Vou buscar uma pouco do James Blake aqui, isso aqui dos 80´s, uma conexão possível com a MPB…”. No sentido de ter coisas/influências bem definidas- e digo isso no bom sentido, de ficar atento ao que, sei lá, o Silva faz, por exemplo?

Eu fico atento porque eu gosto de saber do novo. Gosto de saber de possíveis contextos e conexões. Mas é algo natural – não sei se é porque algo já naturalizou ou se sempre foi assim. Tenho minha paleta de cores favorita e vou brincando com ela. Às vezes acrescentando uma tinta nova que eu comprei e quero experimentar. Outras vezes pegando um tinta dura e velha de dentro da gaveta, que eu nem lembrava mais que tinha. Nessa linguagem que eu criei pra me representar, eu nem mais sei direito o que me constitui. Tudo o que cruzou o meu caminho, provavelmente. 

E o que BH representa no seu trabalho?

Eu diria, primeiramente, a frustração criadora. O ambiente estranho e limitante que acaba motivando as pessoas a criarem algo pra mudar o seu ambiente – especialmente quando se anseia por grandes coisas. Mas também alguns valores, como a generosidade, e também uma melancolia que permeia as alegrias todas. Mineiro é bicho intenso. Ser adolescente em Belo Horizonte foi um tanto quanto estranho. Mas, conforme o tempo foi passando, fui enxergando as coisas boas que essa cidade proporciona a quem vive. E agora, longe daí (ainda que nem tanto), eu tendo a romantizar mais esse lado. É um caldeirão cultural importantíssimo pro país. O desafio é romper as fronteiras, como sempre. E até por isso andamos em círculos, quando estamos aí. Uma autoestima meio esquisita.

É engraçado, o papo de artistas por aqui sempre recaí um pouco na coisa de “transpor as montanhas”…É quase um clichê da impossibilidade mineira…

O potencial da cultura mineira é de grandiosidade, e todo mundo sabe disso. Mas o lance é querer dar o salto no escuro, o que a zona de conforto de BH às vezes nos dissuade.

Uma coisa que acho inseparável do seu trabalho solo é sua relação com a Suca…Creio que até isso levou vocês agora para São Paulo né? É um lance meio simbiótico artísticamente, certo?

Sim, total. É uma relação que começou na arte e foi adiante. Ela é meus olhos na minha música. Tudo o que é de visual do meu projeto tem que passar pelo crivo dela. Apesar de eu ter um repertoriozinho do que gosto e não gosto, eu acredito no bom gosto e no fazer dela. E é uma relação de apoio mútuo contínuo, em todos os âmbitos. Eu vim pra SP pra estar com ela, dar apoio num momento de transição. E ela me apoia de outra forma. É um pelo outro. Tem um amigo nosso, o Scott MacLeay, um fotógrafo canadense, que diz que nós somos o Lou Reed e a Laurie Anderson um do outro

Sensacional definição! É bacana demais ter esse diálogo constante, em nível criativo e pessoal não é?

É realizador num nível inimaginável! É uma relação de igualdade, de parceria, de afeto em todos os âmbitos. Ela é meu alicerce.

Para ir fechando…Como você apresentaria sua música para um estranho?

A-ha! O famoso pitch de elevador! Hehehehe Isso foi um exercício que eu fui desenvolvendo em alguns treinamentos pelos quais passei no último ano, como com a Rafaela Cappai, da Espaçonave. Acabei pondo isso em prática lá no Midem, mas acho que não tá perfeito ainda. Eu diria que é um pop “eletropical” – um misto de pop clássico com algo intangível que é inegavelmente daqui. E, no meio, histórias de luta, de esforço, de desejo e de afeto.

Depois do “Sdds Futuro”, temos o novo single, e depois dele…?

Provavelmente mais singles, ou em EP, ainda não sei direito. Continuo produzindo novo material e quero saber mesmo é de seguir o curso deles, sem saber onde vão me levar…Ando experimentando com diversas coisas. Tenho um trap em português, um dub… altas coisas em andamento. Mas o processo me interessa mais do que o resultado. O resultado tem que ser o aprendizado, sempre.

Essa liberdade, hoje, de ver o processo e não necessariamente visar o “produto” é uma espécie de marca, mas pode ser bastante angustiante também, não?

Eu sentia uma angústia maior de entregar um produto. Porque eu sempre me fodia de cobranças internas, mais do que as externas todas. Entrava numas viagens até meio bizarras, como, por exemplo, de escolher tracklist antes de ter todas as músicas do projeto. E, a partir daí, compor novas músicas pra caberem como faixa 4 ou faixa 7 desse disco, por exemplo. Esse pensamento mais sistêmico, de fluxo, é mais natural pra mim, me ajuda no processo criativo. Eu me sinto mais livre nesse contexto, sem pensar em um produto específico. É um apanhado de canções. A única coisa que quero é que todas sejam boas. Eu tenho um desejo de tornar esse projeto multimídia também, mas ainda tá no caminho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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