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Casa Ototoi- Entrevista com Fernanda Azevedo

 

Coluna Esquema Novo, publicada no jornal Hoje Em Dia, em 18/11/2004

A expressão Ototoi (excelente, em tupi guarani) era uma espécie de piada interna entre a equipe da extinta e combativa produtora cultural Motor Music, que durante uma década oxigenou Belo Horizonte – e de tabela, o resto do país – com bons shows, eventos e claro, a simpática lojinha de discos situada na Savassi. E é no mesmo bairro, que parte da equipe da Motor e o dono do Café com Letras, Bruno Golgher, voltam a mobilizar a cidade, desta vez, com a Casa Ototoi. No mesmo endereço onde se situava a charmosa Casa Goya, na esquina da Fernandes Tourinho com Getúlio Vargas, a Ototoi pretende ser “um evento; nem um bar, nem um restaurante, é um evento onde ocorrem diversas coisas ao mesmo tempo”, garante Fernanda Azevedo, uma das idealizadoras do projeto. A programação da Ototoi, concebida para funcionar 24 horas, começou no último dia 14 e termina depois de um mês exato de shows, palestras, DJ´s e muito mais. Fernanda falou um pouco mais sobre essa idéia…excelente.

EN: Não foi doloroso montar uma casa com uma programação tão bacana, já com data para acabar?

Fernanda: Na verdade não. Nunca foi nosso objetivo montar uma casa, montamos a Ototoi devido à falta de estrutura em BH. Então, ao invés de procurar um lugar e fazer com que ele se adaptasse ao nosso projeto, montamos a casa de uma vez. A idéia é que a Ototoi funcione como uma grande festival estendido, onde ninguém fique preocupado em perder parte a programação durante este mês em que funcionaremos.

EN: Como foi montar a programação musical da casa?

Já tinham algumas bandas que a gente estava a fim de trabalhar a muito tempo, como é o caso do Ramirez (RJ) . O ESS(PR) se apresentou no último Indie Rock Brasil, mas como chegaram atrasados, foram os últimos a tocar. Mas eles fizeram um show maravilhoso e a gente estava querendo muito trazê-los novamente. E por aí fomos montando a programação: quais bandas topariam e queriam vir, quem estava disponível…Porque é um esquema independente ainda, apesar de termos conseguido patrocínio para ajudar a montar a estrutura da casa, não temos muita verba para gastar, especificamente com o pessoal das bandas.

EN: O projeto ainda inclui uma micro boate? A idéia era ter uma espécie de inferninho, com poucas pessoas dançando espremidas?

Eu fico brincando que é assim: fomos montando a casa, e a partir do momento que não tínhamos mais nada para inventar, conseguíamos inventar mais alguma coisa!(risos). Pegamos a parte de baixo da casa (onde antes funcionava a adega), que é bem reduzida, o ideal para se transformar em um inferninho. No primeiro dia nem funcionou tão bem, mas no segundo, todos os DJ´s vieram me procurar pedindo: “Quero tocar no inferninho! Por Favor!”.

EN: A idéia de funcionar 24 horas é para transformar o Ototoi em um ponto de encontro entre as pessoas?

Sim, estamos tentando aproveitar todos os horários possíveis. Além de toda programação cultural, estamos promovendo também workshops de música eletrônica, cursos de DJ nos finais de semana…Enfim utilizar todos os horários possíveis, já que não temos muitas opções aqui em BH.

EN: Ano que vêm a Ototoi vai para ocupar outro espaço da cidade? A idéia original é continuar?

A Ototoi já foi concebida com esta idéia, de funcionar uma vez por ano aqui em Belo Horizonte, e inclusive sair para outros lugares do Brasil.

E a festa continua, antes da chegada do Papai Noel (se é que você acredita nele!)

Encorpando a lista “Ototoi” de atrações de fim de ano, em Beagá, o tradicional espaço roqueiro do bar “A Obra” promete movimentar a cidade com vários shows imperdíveis. Dois deles merecem destaque: o da matilha sulista Cachorro Grande que chegará à cidade, no dia 08 de dezembro, para mostrar o repertório do segundo disco (“As próximas horas serão muito boas”), lançado este ano pela revista Outra Coisa e um dos melhores produzidos na cena independente, em 2004.